

O novo Mercedes-Benz GLB chega como uma segunda geração que mistura o já conhecido conceito de SUV prático com novidades tecnológicas e mecânicas que chamam a atenção: além de ficar maior e mais espaçoso, o modelo estreia como a variante elétrica que substitui o antigo EQB na gama da marca, mantendo a opção de até sete ocupantes e, surpreendentemente, adotando uma caixa de duas marchas.

O que mudou no projeto e por que isso importa
A Mercedes optou por evoluir o GLB em vez de reinventá-lo. O resultado é um SUV com formas ainda mais SUV/minivan, mas alinhado à nova identidade visual da marca, já vista no CLA. A estratégia da marca também mudou: em vez de ter uma linha separada para veículos elétricos (como o EQB), a eletrificação passa a integrar a família GLB — na prática, o EQB deixou de existir e virou o GLB elétrico. Isso importa porque unifica o nome e a oferta comercial, simplifica o portfólio e coloca versões elétrica, híbrida e a combustão sob a mesma nomenclatura.

Design, dimensões e praticidade
Por fora, o novo Mercedes-Benz GLB traz linha frontal redesenhada com uma grade iluminada composta por até 94 pequenas estrelas de LED animadas individualmente, faróis mais estreitos, maçanetas embutidas e rodas de 18 polegadas. A traseira adota lanternas interligadas com assinatura em LED que remete à estrela de três pontas da marca.
As dimensões cresceram: o GLB tem agora 4,73 m de comprimento, 1,86 m de largura e 2,89 m de entre-eixos — um ganho de 6 cm no entre-eixos em relação à geração anterior. Na prática, isso se traduz em mais espaço para passageiros, especialmente na segunda fileira, onde os bancos deslizam longitudinalmente e permitem ajuste de inclinação. O piso totalmente plano aumenta a sensação de amplitude.
Mesmo com a unidade testada sendo a de cinco lugares, a possibilidade de sete ocupantes segue sendo um dos diferenciais do GLB. A terceira fileira acomoda adultos de até 1,75 m (segundo a Mercedes), algo incomum em SUVs com menos de 5 metros. O porta-malas varia entre 480 e 540 litros conforme a configuração, e há ainda um compartimento dianteiro — o chamado “frunk” — com capacidade de 127 litros para cabos e objetos.

Interior: telas, IA e qualidade percebida
O interior replica a abordagem tecnológica que a Mercedes tem levado a seus lançamentos recentes. O destaque é o MBUX Superscreen: até três telas sob uma única superfície de vidro — painel de instrumentos de 10,25″ e central multimídia de 14″; opcionalmente, outra tela de 14″ para o passageiro dianteiro. O sistema operacional MB.OS integra Google Maps, gerencia assistências e o carregamento da bateria, e traz um assistente com novos recursos de inteligência artificial para comandos de voz mais naturais.
Apesar do salto em conectividade e assistências, a qualidade percebida não é impecável: embora o painel use materiais agradáveis ao toque e o acabamento seja bom onde mais se enxerga, plásticos permanecem em portas traseiras e outras áreas menos visíveis. Em resumo: cabine moderna, mas sem perder completamente as economias de escala.

Motorização elétrica, baterias e a tal caixa de duas marchas
A linha elétrica do GLB estreia com três configurações. A base GLB 200 tem bateria de 58 kWh e 224 cv. O modelo testado neste material, o GLB 250+ EQ Technology, usa um motor traseiro de 272 cv e 34,9 kgfm acoplado a uma bateria de 85 kWh, que fornece até 631 km de autonomia no ciclo WLTP e permite 0–100 km/h em 7,4 s. Acima dele fica a GLB 350 4MATIC EQ Technology, com um motor adicional sobre o eixo dianteiro acionado em situações específicas, potência combinada de 354 cv e 0–100 km/h em 5,5 s — autonomia declarada de 614 km.
Todos os elétricos usam arquitetura elétrica de 800 V, aceitam recargas rápidas de até 320 kW e recuperam cerca de 260 km de autonomia em cerca de dez minutos de recarga rápida. Esses números colocam o GLB em posição competitiva no quesito recarga ultrarrápida.
Uma peculiaridade técnica do GLB elétrico é a transmissão de duas marchas. A primeira marcha, com relação curta (11:1), favorece arrancadas e retomadas; a segunda, com relação 5:1, reduz o giro em velocidades maiores para ganhar eficiência. A troca é automática, baseada em velocidade, carga da bateria e modo de condução, tipicamente ocorrendo acima de 110 km/h. É uma solução relativamente incomum em carros elétricos e tem impacto direto nas sensações de condução e na eficiência em estrada.

O que muda na prática para quem pensa em comprar
Para famílias que precisam de flexibilidade, o GLB continua sendo uma opção rara: um elétrico que aceita sete ocupantes e ainda entrega autonomia de até 631 km (WLTP) em sua versão intermediária. A presença do frunk para bagagem e o piso plano ajudam na rotina. A recarga ultrarrápida e a arquitetura de 800 V reduzem o tempo de viagem em deslocamentos mais longos quando houver infraestrutura adequada.
Por outro lado, a Mercedes informou que o GLB elétrico estreou na Europa no fim de 2025 (com vendas em 2026) e que, para o Brasil, a expectativa é de que o lançamento não ocorra antes de 2027. No mercado nacional o GLB de primeira geração a combustão segue à venda por preços a partir de R$ 381.900. Portanto, novidades europeias não significam chegada imediata por aqui — e qualquer confirmação oficial para o Brasil ainda depende da marca.

Perguntas frequentes
O novo Mercedes-Benz GLB está disponível com quantas versões elétricas?
A linha elétrica do GLB conta com pelo menos três versões: GLB 200 (58 kWh / 224 cv), GLB 250+ EQ Technology (85 kWh / 272 cv) e GLB 350 4MATIC EQ Technology (dual motor, 354 cv).
Qual a autonomia e como é a recarga?
O GLB 250+ declara até 631 km de autonomia no ciclo WLTP com bateria de 85 kWh. A arquitetura é de 800 V e admite recargas rápidas de até 320 kW, recuperando cerca de 260 km em aproximadamente dez minutos, segundo a Mercedes.
O GLB continua oferecendo sete lugares?
Sim. O novo GLB mantém a opção de configuração para sete ocupantes, com terceira fileira apta a acomodar adultos de até 1,75 m, conforme especificado pela fabricante.

Conclusão
O novo Mercedes-Benz GLB confirma a aposta da marca em consolidar elétrica, híbrida e a combustão sob um mesmo nome, trazendo avanços práticos: mais espaço, tecnologia em tela e software, autonomia competitiva e carregamento ultrarrápido. A surpresa fica por conta da caixa de duas marchas, uma solução incomum que busca conciliar arrancadas vigorosas e eficiência em estrada. Para o público brasileiro, resta aguardar a confirmação oficial de vinda — a Mercedes já sinalizou que o lançamento por aqui não deve ocorrer antes de 2027.
