Hyundai Veloster: 10 curiosidades sobre o cupê de três portas que marcou o Brasil

Conheça 10 curiosidades sobre o Hyundai Veloster: as três portas assimétricas, a polêmica dos 140 cv, o raro Turbo e o esportivo Veloster N.

O Hyundai Veloster é um daqueles carros que dificilmente passam despercebidos. Mesmo mais de uma década depois de sua chegada ao Brasil, o modelo ainda chama atenção pelo desenho diferente, pela carroceria assimétrica e por uma história cheia de curiosidades — algumas muito interessantes e outras bastante polêmicas.

Ele nasceu com a proposta de misturar a aparência de um cupê com a praticidade de um hatch, mas acabou ficando marcado por muito mais do que isso. No Brasil, especialmente, o Veloster virou assunto por causa de seu visual futurista, do desempenho que não correspondia à expectativa criada e da famosa controvérsia envolvendo a potência divulgada.

A seguir, reunimos 10 curiosidades sobre o Hyundai Veloster que ajudam a explicar por que esse carro continua tão lembrado.

Hyundai Veloster 2012 de primeira geração
Hyundai Veloster de primeira geração, a mesma família visual que ficou conhecida no Brasil.

1. O nome Veloster mistura duas ideias

O nome Veloster nasceu da combinação de palavras ligadas à proposta do carro: velocity, que significa velocidade em inglês, e roadster, termo tradicionalmente associado a carros de apelo esportivo.

O próprio nome já mostrava o que a Hyundai queria transmitir: um automóvel jovem, diferente e com aparência esportiva. Curiosamente, no Brasil, essa expectativa de desempenho acabaria sendo justamente um dos pontos mais discutidos do modelo.

2. Ele não tem a mesma quantidade de portas dos dois lados

Talvez a característica mais famosa do Veloster seja sua carroceria assimétrica.

Do lado do motorista existe apenas uma porta lateral grande, como em um cupê. Do lado do passageiro há duas portas: uma dianteira e outra traseira menor.

A Hyundai descreveu essa configuração como um arranjo 2+1. A ideia era manter o visual de cupê quando visto pelo lado do motorista, mas facilitar o acesso ao banco traseiro pelo outro lado.

Hyundai Veloster 2012 de primeira geração em outro ângulo
A carroceria assimétrica é uma das marcas registradas do Veloster.

3. A terceira porta foi pensada para facilitar o uso diário

A terceira porta não foi colocada apenas para chamar atenção.

Ela também resolvia um problema típico dos cupês de duas portas: entrar no banco traseiro. Em vez de rebater o banco dianteiro toda vez que alguém precisasse entrar atrás, o Veloster permitia acesso direto pela porta traseira do lado do passageiro.

Isso ajudou a criar uma combinação pouco comum: aparência de cupê com uma dose de praticidade de hatch.

4. O Veloster chegou ao Brasil cercado por muita expectativa

O modelo começou a ser vendido oficialmente por aqui no início da década de 2010 e rapidamente virou um dos carros importados mais comentados daquele período.

O desenho era completamente diferente da maioria dos carros que circulavam no Brasil. Tinha para-brisa bastante inclinado, traseira alta, lanternas grandes, rodas de 18 polegadas em algumas configurações e, principalmente, a já famosa carroceria de três portas laterais.

Segundo levantamento publicado pelo UOL, foram 13.321 unidades emplacadas entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2014, período em que o carro foi comercializado oficialmente no país.

Hyundai Veloster FS de primeira geração
Primeira geração do Veloster, conhecida pelo código de projeto FS.

5. A história dos 140 cv virou uma das maiores polêmicas do carro no Brasil

Essa é provavelmente a curiosidade mais conhecida entre os brasileiros.

Na época do lançamento, o Veloster foi divulgado pela Hyundai-CAOA com um motor 1.6 de injeção direta e 140 cv. O problema é que os carros oficialmente vendidos no Brasil utilizavam um motor 1.6 com injeção convencional e 128 cv.

A diferença gerou reclamações de proprietários, testes em dinamômetro e processos judiciais. A própria Quatro Rodas documentou posteriormente que o carro brasileiro não trazia o conjunto GDI de 140 cv apresentado inicialmente na publicidade.

Ou seja: o Veloster brasileiro tinha visual de esportivo, mas mecanicamente era bem mais conservador do que parte do público imaginava.

6. Ele não era tão rápido quanto o desenho sugeria

O visual agressivo fazia muita gente imaginar um desempenho próximo ao de um verdadeiro esportivo.

Nos testes da Quatro Rodas, porém, o Veloster automático precisou de aproximadamente 12,8 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h.

Isso não significa que fosse um carro ruim para uso cotidiano. O problema estava na diferença entre a expectativa criada pelo design e pela comunicação comercial e aquilo que a mecânica realmente entregava.

Foi daí que surgiu entre parte dos entusiastas o apelido bem pouco carinhoso de “Lentoster”.

7. O Veloster Turbo que todo mundo queria existiu — mas praticamente não foi vendido aqui

Fora do Brasil, a história era diferente.

A Hyundai ofereceu o Veloster Turbo com motor 1.6 turbo de injeção direta e potência na casa dos 200 cv. Era justamente a versão que muitos brasileiros imaginavam combinar melhor com o estilo do carro.

Em 2014 houve expectativa de que a versão Turbo fosse oficialmente lançada por aqui. Segundo reportagem do Motor1, apenas três unidades trazidas para homologação acabaram sendo vendidas, e o lançamento regular não aconteceu.

Por isso, um Veloster Turbo original dessa fase é algo muito incomum no mercado brasileiro.

Traseira do Hyundai Veloster de primeira geração
A traseira alta e bastante recortada ajudou a tornar o desenho do Veloster imediatamente reconhecível.

8. A segunda geração manteve a fórmula das portas assimétricas

Quando a Hyundai apresentou a segunda geração do Veloster, poderia simplesmente ter transformado o carro em um hatch convencional. Não fez isso.

A configuração assimétrica continuou: uma porta do lado do motorista e duas do lado do passageiro.

A própria Hyundai afirmou que o objetivo era unir o apelo visual de um cupê à praticidade da porta traseira adicional. Portanto, a solução mais estranha do primeiro Veloster acabou se tornando parte da identidade definitiva do modelo.

9. Depois veio o Veloster N — e aí o desempenho finalmente acompanhou o visual

Se o primeiro Veloster vendido no Brasil ficou conhecido justamente pela falta de desempenho esportivo, o Veloster N foi praticamente o extremo oposto.

Desenvolvido pela divisão esportiva Hyundai N, ele recebeu motor 2.0 turbo. No pacote Performance, a Hyundai declarava até 275 hp e torque de aproximadamente 40 kgfm.

Além do motor, o N trazia suspensão eletronicamente controlada, diferencial de desempenho, freios maiores e diferentes modos de condução.

Em outras palavras: o Veloster finalmente ganhou de fábrica uma versão que entregava desempenho compatível com a aparência.

Hyundai Veloster N de segunda geração
Veloster N de segunda geração: motor 2.0 turbo e proposta de alto desempenho.

10. O Veloster N chegou até a ganhar câmbio de dupla embreagem

Inicialmente, o Veloster N ficou bastante associado ao câmbio manual. Depois, a Hyundai desenvolveu uma transmissão N DCT de oito marchas e dupla embreagem banhada a óleo.

A transmissão recebeu funções voltadas para condução esportiva e permitiu que o Veloster N combinasse alto desempenho com a facilidade de uso de um automático.

Foi uma evolução enorme quando comparada ao Veloster aspirado de primeira geração conhecido pelos brasileiros.

Hyundai Veloster N de segunda geração
A segunda geração ganhou a versão N, bem mais próxima de um esportivo de verdade.

Por que o Veloster ainda chama tanta atenção?

O Veloster teve uma trajetória bastante peculiar.

No Brasil, ficou marcado por uma campanha de lançamento controversa e por um motor que não entregava o desempenho que o desenho sugeria. Ao mesmo tempo, trouxe uma das carrocerias mais criativas oferecidas no mercado nacional naquela década.

A combinação de uma porta de um lado, duas do outro, traseira ousada e posição de dirigir baixa fez com que ele continuasse facilmente reconhecível mesmo muitos anos depois.

E sua evolução também foi interessante: o carro que aqui ficou conhecido pelo desempenho modesto acabou dando origem, em outra geração, ao Veloster N de 275 hp, um esportivo desenvolvido para entregar exatamente aquilo que muitos esperavam do Veloster desde o início.

Vale lembrar do Veloster apenas pela polêmica?

Não.

A história dos 140 cv é uma parte importante da passagem do carro pelo Brasil e não deve ser ignorada. Mas resumir o Veloster apenas a isso também seria injusto.

Ele foi um projeto realmente diferente, com uma solução de carroceria que poucas fabricantes tiveram coragem de colocar em produção em grande escala. E o fato de a segunda geração ter mantido a configuração 2+1 mostra que a terceira porta não era apenas uma extravagância de lançamento: ela fazia parte da própria identidade do Veloster.

Fontes consultadas

Para esta matéria foram consultados materiais oficiais da Hyundai sobre o Veloster e o Veloster N, além do histórico brasileiro documentado por Quatro Rodas, UOL e Motor1.

Créditos das imagens: Wikimedia Commons. Fotos da primeira geração por IFCAR e Benespit, além de imagem de traseira disponível no acervo do Commons; imagens do Veloster N disponibilizadas por colaboradores do Wikimedia. As fotos de unidades estrangeiras são usadas somente como referência visual das respectivas gerações, sem afirmar que sejam unidades vendidas no Brasil.

Gostou da matéria?Compartilhe com alguém!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *