

O Hyundai Veloster é um daqueles carros que dificilmente passam despercebidos. Mesmo mais de uma década depois de sua chegada ao Brasil, o modelo ainda chama atenção pelo desenho diferente, pela carroceria assimétrica e por uma história cheia de curiosidades — algumas muito interessantes e outras bastante polêmicas.
Ele nasceu com a proposta de misturar a aparência de um cupê com a praticidade de um hatch, mas acabou ficando marcado por muito mais do que isso. No Brasil, especialmente, o Veloster virou assunto por causa de seu visual futurista, do desempenho que não correspondia à expectativa criada e da famosa controvérsia envolvendo a potência divulgada.
A seguir, reunimos 10 curiosidades sobre o Hyundai Veloster que ajudam a explicar por que esse carro continua tão lembrado.

1. O nome Veloster mistura duas ideias
O nome Veloster nasceu da combinação de palavras ligadas à proposta do carro: velocity, que significa velocidade em inglês, e roadster, termo tradicionalmente associado a carros de apelo esportivo.
O próprio nome já mostrava o que a Hyundai queria transmitir: um automóvel jovem, diferente e com aparência esportiva. Curiosamente, no Brasil, essa expectativa de desempenho acabaria sendo justamente um dos pontos mais discutidos do modelo.
2. Ele não tem a mesma quantidade de portas dos dois lados
Talvez a característica mais famosa do Veloster seja sua carroceria assimétrica.
Do lado do motorista existe apenas uma porta lateral grande, como em um cupê. Do lado do passageiro há duas portas: uma dianteira e outra traseira menor.
A Hyundai descreveu essa configuração como um arranjo 2+1. A ideia era manter o visual de cupê quando visto pelo lado do motorista, mas facilitar o acesso ao banco traseiro pelo outro lado.

3. A terceira porta foi pensada para facilitar o uso diário
A terceira porta não foi colocada apenas para chamar atenção.
Ela também resolvia um problema típico dos cupês de duas portas: entrar no banco traseiro. Em vez de rebater o banco dianteiro toda vez que alguém precisasse entrar atrás, o Veloster permitia acesso direto pela porta traseira do lado do passageiro.
Isso ajudou a criar uma combinação pouco comum: aparência de cupê com uma dose de praticidade de hatch.
4. O Veloster chegou ao Brasil cercado por muita expectativa
O modelo começou a ser vendido oficialmente por aqui no início da década de 2010 e rapidamente virou um dos carros importados mais comentados daquele período.
O desenho era completamente diferente da maioria dos carros que circulavam no Brasil. Tinha para-brisa bastante inclinado, traseira alta, lanternas grandes, rodas de 18 polegadas em algumas configurações e, principalmente, a já famosa carroceria de três portas laterais.
Segundo levantamento publicado pelo UOL, foram 13.321 unidades emplacadas entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2014, período em que o carro foi comercializado oficialmente no país.

5. A história dos 140 cv virou uma das maiores polêmicas do carro no Brasil
Essa é provavelmente a curiosidade mais conhecida entre os brasileiros.
Na época do lançamento, o Veloster foi divulgado pela Hyundai-CAOA com um motor 1.6 de injeção direta e 140 cv. O problema é que os carros oficialmente vendidos no Brasil utilizavam um motor 1.6 com injeção convencional e 128 cv.
A diferença gerou reclamações de proprietários, testes em dinamômetro e processos judiciais. A própria Quatro Rodas documentou posteriormente que o carro brasileiro não trazia o conjunto GDI de 140 cv apresentado inicialmente na publicidade.
Ou seja: o Veloster brasileiro tinha visual de esportivo, mas mecanicamente era bem mais conservador do que parte do público imaginava.
6. Ele não era tão rápido quanto o desenho sugeria
O visual agressivo fazia muita gente imaginar um desempenho próximo ao de um verdadeiro esportivo.
Nos testes da Quatro Rodas, porém, o Veloster automático precisou de aproximadamente 12,8 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h.
Isso não significa que fosse um carro ruim para uso cotidiano. O problema estava na diferença entre a expectativa criada pelo design e pela comunicação comercial e aquilo que a mecânica realmente entregava.
Foi daí que surgiu entre parte dos entusiastas o apelido bem pouco carinhoso de “Lentoster”.
7. O Veloster Turbo que todo mundo queria existiu — mas praticamente não foi vendido aqui
Fora do Brasil, a história era diferente.
A Hyundai ofereceu o Veloster Turbo com motor 1.6 turbo de injeção direta e potência na casa dos 200 cv. Era justamente a versão que muitos brasileiros imaginavam combinar melhor com o estilo do carro.
Em 2014 houve expectativa de que a versão Turbo fosse oficialmente lançada por aqui. Segundo reportagem do Motor1, apenas três unidades trazidas para homologação acabaram sendo vendidas, e o lançamento regular não aconteceu.
Por isso, um Veloster Turbo original dessa fase é algo muito incomum no mercado brasileiro.

8. A segunda geração manteve a fórmula das portas assimétricas
Quando a Hyundai apresentou a segunda geração do Veloster, poderia simplesmente ter transformado o carro em um hatch convencional. Não fez isso.
A configuração assimétrica continuou: uma porta do lado do motorista e duas do lado do passageiro.
A própria Hyundai afirmou que o objetivo era unir o apelo visual de um cupê à praticidade da porta traseira adicional. Portanto, a solução mais estranha do primeiro Veloster acabou se tornando parte da identidade definitiva do modelo.
9. Depois veio o Veloster N — e aí o desempenho finalmente acompanhou o visual
Se o primeiro Veloster vendido no Brasil ficou conhecido justamente pela falta de desempenho esportivo, o Veloster N foi praticamente o extremo oposto.
Desenvolvido pela divisão esportiva Hyundai N, ele recebeu motor 2.0 turbo. No pacote Performance, a Hyundai declarava até 275 hp e torque de aproximadamente 40 kgfm.
Além do motor, o N trazia suspensão eletronicamente controlada, diferencial de desempenho, freios maiores e diferentes modos de condução.
Em outras palavras: o Veloster finalmente ganhou de fábrica uma versão que entregava desempenho compatível com a aparência.

10. O Veloster N chegou até a ganhar câmbio de dupla embreagem
Inicialmente, o Veloster N ficou bastante associado ao câmbio manual. Depois, a Hyundai desenvolveu uma transmissão N DCT de oito marchas e dupla embreagem banhada a óleo.
A transmissão recebeu funções voltadas para condução esportiva e permitiu que o Veloster N combinasse alto desempenho com a facilidade de uso de um automático.
Foi uma evolução enorme quando comparada ao Veloster aspirado de primeira geração conhecido pelos brasileiros.

Por que o Veloster ainda chama tanta atenção?
O Veloster teve uma trajetória bastante peculiar.
No Brasil, ficou marcado por uma campanha de lançamento controversa e por um motor que não entregava o desempenho que o desenho sugeria. Ao mesmo tempo, trouxe uma das carrocerias mais criativas oferecidas no mercado nacional naquela década.
A combinação de uma porta de um lado, duas do outro, traseira ousada e posição de dirigir baixa fez com que ele continuasse facilmente reconhecível mesmo muitos anos depois.
E sua evolução também foi interessante: o carro que aqui ficou conhecido pelo desempenho modesto acabou dando origem, em outra geração, ao Veloster N de 275 hp, um esportivo desenvolvido para entregar exatamente aquilo que muitos esperavam do Veloster desde o início.
Vale lembrar do Veloster apenas pela polêmica?
Não.
A história dos 140 cv é uma parte importante da passagem do carro pelo Brasil e não deve ser ignorada. Mas resumir o Veloster apenas a isso também seria injusto.
Ele foi um projeto realmente diferente, com uma solução de carroceria que poucas fabricantes tiveram coragem de colocar em produção em grande escala. E o fato de a segunda geração ter mantido a configuração 2+1 mostra que a terceira porta não era apenas uma extravagância de lançamento: ela fazia parte da própria identidade do Veloster.
Fontes consultadas
Para esta matéria foram consultados materiais oficiais da Hyundai sobre o Veloster e o Veloster N, além do histórico brasileiro documentado por Quatro Rodas, UOL e Motor1.
- Hyundai News — segunda geração e carroceria 2+1
- Hyundai N — especificações do Veloster N
- Quatro Rodas — primeiro teste do Veloster no Brasil
- UOL — controvérsia da potência do Veloster
- Motor1 — história do Veloster Turbo no Brasil
Créditos das imagens: Wikimedia Commons. Fotos da primeira geração por IFCAR e Benespit, além de imagem de traseira disponível no acervo do Commons; imagens do Veloster N disponibilizadas por colaboradores do Wikimedia. As fotos de unidades estrangeiras são usadas somente como referência visual das respectivas gerações, sem afirmar que sejam unidades vendidas no Brasil.
