

Beleza é subjetiva. Um carro que alguém acha horrível pode virar objeto de culto para outra pessoa. Mesmo assim, alguns modelos conseguiram uma façanha rara: ficaram mundialmente conhecidos justamente por causa do visual estranho, exagerado ou difícil de entender.
Nesta lista, reunimos oito carros que entraram para a história pelo desenho controverso. Alguns foram fracassos comerciais, outros venderam bem apesar das críticas e há até modelos que hoje são cultuados justamente porque ousaram demais.
Não é uma lista científica nem uma sentença definitiva. É uma seleção editorial baseada em carros que, ao longo dos anos, ficaram marcados por proporções incomuns, soluções estéticas polêmicas e reações fortes do público.
1. Fiat Multipla: o campeão do “o que aconteceu aqui?”

Se existe um carro que quase sempre aparece quando alguém fala em “carro feio”, é o Fiat Multipla de primeira geração.
Lançado no fim dos anos 1990, ele tinha uma solução extremamente funcional: seis lugares distribuídos em duas fileiras de três bancos. O problema é que, para acomodar tudo isso, a carroceria ficou muito larga e com proporções bastante incomuns.
O detalhe mais marcante era a frente em dois níveis. Havia uma espécie de “degrau” entre capô e para-brisa, com faróis posicionados em alturas diferentes e uma faixa elevada que fazia o carro parecer dividido em duas partes.
O projeto era inteligente por dentro, mas visualmente causou rejeição suficiente para a própria Fiat suavizar bastante o desenho no facelift de 2004.
2. Pontiac Aztek: estranho demais para seu tempo

O Pontiac Aztek virou um dos maiores símbolos de design controverso dos Estados Unidos.
Ele chegou ao mercado no início dos anos 2000 com uma proposta que hoje parece familiar: mistura de SUV, crossover e veículo de lazer. O problema não era a ideia, mas a execução visual.
A dianteira tinha dois níveis de grade, os para-lamas pareciam recortados demais e a traseira usava linhas angulosas que não conversavam muito com o restante do carro.
Ironicamente, o conceito de um crossover voltado para estilo de vida e aventura estava alguns anos à frente do mercado. Se tivesse recebido uma carroceria mais convencional, talvez sua história fosse bem diferente.
3. SsangYong Rodius: uma traseira difícil de esquecer

O SsangYong Rodius era uma minivan enorme e extremamente espaçosa, mas foi justamente o tamanho e a forma como esse volume foi resolvido que renderam críticas.
A primeira geração trazia uma traseira alta, com uma coluna muito larga e um recorte de vidro que dava a sensação de que duas carrocerias diferentes tinham sido unidas.
De perfil, o teto e a linha de cintura também criavam proporções pouco usuais. Era um carro pensado para levar muita gente e muita bagagem, mas dificilmente seria lembrado como referência de elegância.
4. Nissan Juke: ou você ama, ou você odeia

O Nissan Juke provavelmente é o carro desta lista com maior número de defensores.
Lançado em 2010, ele apostou em uma dianteira radical, com lanternas superiores muito altas e faróis principais redondos posicionados abaixo. A carroceria misturava SUV compacto, hatch esportivo e teto com influência de cupê.
Para alguns, o resultado era criativo e cheio de personalidade. Para outros, parecia um conjunto de elementos que nunca deveriam ter sido colocados no mesmo carro.
De qualquer forma, o Juke conseguiu algo que muitos carros não conseguem: era impossível confundi-lo com qualquer concorrente.
5. Chrysler PT Cruiser: retrô que envelheceu de um jeito estranho

Quando o Chrysler PT Cruiser apareceu, no início dos anos 2000, seu desenho retrô chamou muita atenção.
A inspiração vinha dos carros americanos das décadas de 1930 e 1940, mas aplicada sobre uma carroceria alta e relativamente estreita. Para-lamas arredondados, grade vertical e teto elevado formavam uma mistura bastante peculiar.
Nos primeiros anos, o estilo chegou a ser considerado moderno justamente por ser diferente. Com o tempo, porém, o excesso de elementos retrô fez o PT Cruiser entrar em várias listas de carros de visual duvidoso.
Ainda assim, ele tem uma legião de fãs e é um bom exemplo de como um carro pode ser criticado e cultuado ao mesmo tempo.
6. Toyota Etios Sedan: funcionalidade antes de beleza

No Brasil, poucos sedãs populares receberam tantas críticas visuais quanto o Toyota Etios Sedan.
O carro tinha virtudes importantes: mecânica simples, boa confiabilidade, espaço interno e porta-malas grande. Mas a carroceria parecia ter sido desenhada com a função acima de qualquer preocupação estética.
A traseira curta e alta, as lanternas pequenas e a transição entre teto e porta-malas davam ao modelo uma aparência desproporcional para muita gente.
É um daqueles casos em que os proprietários costumam defender o carro pelo que ele entrega no uso diário, e não necessariamente pelo que entrega quando você olha para ele parado na garagem.
7. Chevrolet Spin antiga: um monovolume que parecia maior do que era

A primeira Chevrolet Spin, lançada em 2012, precisava substituir modelos familiares importantes e entregar muito espaço interno por um preço competitivo.
Ela conseguiu ser prática, mas o visual ficou marcado por uma dianteira alta, faróis grandes e carroceria com muito volume concentrado na parte central.
Vista de certos ângulos, parecia ainda maior e mais pesada do que realmente era. A traseira também era bastante simples, o que reforçava a sensação de um projeto pensado muito mais para função do que para estilo.
As atualizações posteriores suavizaram bastante essa aparência.
8. Chevrolet Agile: frente grande demais para um hatch compacto

O Chevrolet Agile foi desenvolvido na América do Sul e chegou ao mercado em 2009.
Sua dianteira adotava uma grade enorme, faróis grandes e capô alto. O problema é que tudo isso estava aplicado a um hatch relativamente compacto.
O resultado era uma frente visualmente muito pesada em relação às laterais e à traseira. Para alguns, isso dava presença. Para outros, parecia que o carro estava permanentemente fazendo uma expressão de surpresa.
O Agile também é um exemplo de como o design automotivo do fim dos anos 2000 gostava de grades grandes e superfícies muito marcadas — tendência que, em alguns projetos, envelheceu rápido.
Mas afinal, qual é o carro mais feio da lista?
Se a escolha fosse feita apenas pelo impacto histórico, Fiat Multipla e Pontiac Aztek provavelmente disputariam o topo. Os dois ficaram famosos internacionalmente não apenas por suas qualidades ou defeitos mecânicos, mas pela aparência.
Por outro lado, carros como Juke e PT Cruiser mostram como uma estética controversa pode virar identidade. O mesmo desenho que afasta alguns compradores pode criar uma base de fãs extremamente fiel.
Isso também acontece com modelos brasileiros. Etios, Spin e Agile nunca foram unanimidade no quesito beleza, mas todos conquistaram compradores por outros motivos: confiabilidade, espaço, custo de manutenção ou praticidade.
Carro feio pode virar clássico?
Com certeza.
O tempo muda a percepção de design. Um carro considerado estranho quando novo pode virar símbolo de uma época anos depois. O Multipla é um ótimo exemplo: aquilo que antes era visto apenas como esquisito hoje também é valorizado por colecionadores e entusiastas que enxergam originalidade no projeto.
O mesmo pode acontecer com Aztek, Juke e outros carros desta lista.
Em um mercado no qual muitos modelos começam a parecer cada vez mais semelhantes, ser lembrado por décadas — mesmo que inicialmente por ser “feio” — talvez seja melhor do que passar completamente despercebido.
E para você, qual é o mais feio?
A lista poderia ser muito maior. Renault Logan de primeira geração, Nissan Cube, Toyota Prius de quarta geração, Subaru Tribeca e vários outros modelos também dividem opiniões.
Agora queremos saber: qual carro você colocaria em primeiro lugar numa lista dos mais feios de todos os tempos?
Créditos das imagens: Wikimedia Commons. Foram usadas imagens reais dos modelos citados. A seleção é editorial e a avaliação estética é subjetiva; as fotos servem apenas para ilustrar os veículos mencionados.
